26 de out de 2010

SEXO, ENERGIA EM CASA E NA ESCOLA

SEXO, ENERGIA PRESENTE EM CASA E NA ESCOLA - Hália Pauliv de Souza  - psicologa e professora - Edições Paulinas

            Na última capa encontramos que o livro foi elaborado para ajudar os educadores a promover, junto às novas gerações, a construção de uma vida em harmonia com o próprio sexo, tendo uma sexualidade sadia, consciente, responsável e prazerosa. Com suas 173 pgs, tem como objetivo: proporcionar aos pais e professores:
            - explicações simples a respeito dos aspectos sociais da sexualidade;
            - embasamento científico sobre as etapas da evolução sexual humana;
            - características do comportamento infantil e do adolescente;
            - formas para os pais lidar com a famosa e às vezes temida “hora da conversa”;
            - estratégias práticas para os professores ministrarem o conteúdo de forma transversal;
            - indicações de livros e vídeos para os pais e professores apoiarem seus trabalhos.

Constatamos que este livro contém elementos para uma reflexão honesta, clara e objetiva sobre a sexualidade, ou sobre a educação sexual, que é compromisso e desafio às famílias e à escola – grandes aliados.
Sem teorias mirabolantes, mas sim com preceitos científicos, a linguagem da autora é simples, leve e até amena, mas sempre envolvente; conforme pode ser conferido no sumário, tópicos e transcrições, que seguem:

Capítulo I – Por que pensar a educação sexual:

-Vamos refletir? Se eles perguntam, não quer dizer que estão querendo fazer, e se nós -educadores- infor-            mamos, não quer dizer que estamos dando permissão. – Temos que aprender a conviver com o   nosso   sexo e com o do outro – temos que aprender a tornar-nos um ser humano íntegro e feliz.
            (Seguem considerações sobre as dimensões física, afetiva, social, religiosa, intelectual e moral.)
-Forma de educação sexual. - Desde o nascimento recebemos educação não-verbal e verbal, informal e formal. Formar é despertar energias. Quando informamos formando, atingimos o ideal.
-Os objetivos. – São a guia que marca a direção. Em destaque: o viver a própria sexualidade; o respeitar a        sua sexualidade e a do outro nos comportamentos diferentes; o aprender desde cedo a decidir com ponderação; o aceitar seu corpo de homem ou mulher; o saber comunicar-se; o ter uma escala pesso-      al; o mudar seus comportamentos inadequados; o desenvolver a auto-estima; o buscar as informações           corretas e os esclarecimentos. Estes objetivos podem ser buscados na escola ou na família.
-Educadores informais:  - pais: primeiros educadores e modelos; - professores: devem influenciar com             autoridade e saber; -amigos: tem papel especial (brincadeiras); - parentes: tem participação ativa,          são parâmetros; - meios de comunicação: são uma força educativa de largo alcance que exige cuidado    pois muitos são inadequados; -política: donde vem as leis do aborto, abuso sexual, incesto, divórcio;   religião, papel importante pois pode conciliar ou reprimir a sexualidade - considerar esta diversidade -Valor e importância  da educação sexual. A criança cresce física e psicologicamente e tem curiosidade    dos fatos; personalidade infantil e condutas adequadas se aprende na infância; a criança deposita total          confiança nos pais e professores, crê em tudo que vem deles; informações de estranhos  em geral são          deturpadas e maliciosas e em linguagem vulgar; mundo atual: altamente erotizado e cheio de apelos;           ajustamento às normas sociais: importante pois enquadra o respeitar e o ser respeitado; sexualidade:      assunto normal, não necessita horário especial; proteção contra o abuso sexual vem da confiança        dada pela informação; realização pessoal é um direito de todos, devemos isso aos jovens.

Capítulo II – Conceitos básicos:

Sexo e sexualidade. Lei da natureza: As crianças são crianças antes de serem homens. São dotadas de órgãos             sexuais e órgãos genitais. Possuem libido: a mola propulsora da energia humana; e sexualidade: o             componente fundamental da personalidade. Consideremos as comparações que seguem:
                        SERES  HUMANOS                                                                       ANIMAIS  IRRACIONAIS
            Usa o corpo de forma consciente; é racional.                       Usam o corpo inconscientemente.
            A relação é baseada no afeto (amor, prazer).                                    Relação baseada somente no instinto.
            Buscam um/a parceiro/a. Há decisão e escolha.                    Existe a busca apenas do contato físico.
            Todo ato sexual envolve a parte biológica,                           O ato sexual envolve tão somente
                        psicológica, emocional e espiritual.                                       a parte biológica.
            A maturidade sexual é conquistada.                                     A maturidade sexual é fisiológica.
            A relação sexual é livre, é uma opção.                                  A relação é uma função a ser exercida.
            Buscam uniões duradouras e tem vida espiritual.                 Formam pares, que não são duradouros.
            Manifestam e são responsáveis por sua vida sexual.             Nenhuma espécie de responsabilidade.
Identidade. – Nascemos masculinos ou femininos. Um conjunto de fatores determina a identidade biológica e             também a social. Mensagens são passadas à criança desde que nasce. Forma-se a identidade sexual,      que depende de fatores genéticos, hormônios e do meio. Há a busca de modelos e a busca pelo                      reconhecimento e expressão própria – forma-se a identidade pessoal.
Papéis sexuais. Atributos de cada sexo = expressão da identidade masculina e da feminina determinada pelos             agentes socializantes (família, escola, meio ambiente, mídia). O que é permitido ou proibido para cada sexo tem suas variações. Todas as pessoas têm diferenças próprias entre si. Meninos são mais tipifica-            dos e estão mais satisfeitos com seu papel. Menina que vê sua mãe trabalhando fora e realizando                  afazeres domésticos  questiona os valores de igualdade e fraternidade entre as pessoas.
As relações de gênero. – Papel social de cada sexo em determinada cultura. Percepção da criança, das                     diferenças sexuais passadas pelos adultos na família, creche, escola. Imita os com quem convive.
Principais características da evolução sexual: -Início da vida - a fecundação determina o sexo. A partir da   sétima semana inicia-se as etapas da sexualidade. Após o nascimento inicia-se o aprendizado no meio   ambiente e a conseqüente evolução sexual humana - atenção especial dos educadores:
Fase auto-erótica – do nascimento aos 4 anos para uns, ou 6 para outros. É a fase do: “em mim mesmo”.         Os estímulos partem do próprio corpo e podem ser: oral, anal e genital.
            O estágio oral  é o ato de mamar e é um dos mais importantes da vida humana, já que determina                   aspectos para toda a vida. Mães que amamentam ou oferecem chupeta por longo tempo, correm o risco             de criar uma criança presa à infância, dependente e imatura pelo resto da vida.
            Estágio anal – funções excretoras – as crianças descobrem que isto é excitante por volta dos 2 anos.                      Aquilo é uma obra sua; já querem ficar sozinhas no banheiro. O final desta fase é aí pelos 3 anos .
            Estágio genital – tomada de consciência que tem órgãos genitais e manipulá-los lhe dá satisfação.          É o período da identificação sexual. É a fase das diferenças, e por conseguinte, das perguntas que               exigem respostas verdadeiras (acontece dos 3 ou 4 anos em diante).
 Fase heteroerótica – É quando os estímulos sociais e psicológicos são captados do ambiente; vai dos  4 aos    10 anos. Fase dos complexos de Édipo (meninos) e de Electra (meninas). Fase marcada       pela reação      infantil com afeição mais intensa dedicada ao adulto do sexo oposto – o pai ou a mãe.
            Complexo de castração – Ocorre a percepção das genitálias diferentes; notam o que o menino tem e a             menina não tem, e vice-versa – daí decorre um certo medo ou  o desejo de se tornarem “iguais”.
            Estágio de latência – Período crítico onde há assentamento, sedimentação de todos os conhecimentos             afetivos e sexuais conquistados. Época do ver, verificar e acompanhar. Aqui ocorre a afirmação da               identidade sexual, a personalidade é aperfeiçoada. Devemos observar os amigos e ter cuidado com as             “novidades”. O que não for aprendido em casa, será aprendido na rua. Início da masturbação.
Fase de maturação – Evolução sexual que vai dos 10 aos 19 anos. Período das grandes transformações e        crises. Crise biológica: maturação das glândulas e órgãos com alterações de movimentos,  humor,         aparência, espinhas, pelos, mamas, menstruação, ejaculação...Estão aptos à procriação.
            Crise psicológica: Desenvolvimento mental, questionamentos, estruturação da identidade.
            Crise social: Dificuldade de adaptação – não é mais criança e ainda não é adulto. Quer participar das             decisões e ter mesada. Nota a hipocrisia e fica sensível às injustiças sociais e à política. Também fica             vulnerável aos apelos externos: aparência, prestígio, moda. Está exposto a todo tipo de influência.                     Estágio auto-erótico: Curiosidades pela transformação do próprio corpo. Anseio por amparo e prote-     cão, carinho e afeto, proteção e segurança. Necessitam de distrações, afazeres e atividades de grupo.
            Estágio heterossexual: Maturidade das meninas ocorre antes dos meninos. Jovens preocupados com      a sexualidade, querem obter esclarecimentos precisos, verdadeiros. Fase do namorar, experimentar,          ficar. Momento das confidências, do interesse, do diálogo e sobretudo da orientação dos adultos.

Capítulo III – Sexo, energia presente na família:

Pais e filhos: a relação básica - a percepção dos pais pela criança: Desde o início a criança ‘lê os olhos’,      recebe informações não verbalizadas e posiciona-se como homem ou mulher. Percebe as frustrações      da geração de uma filha quando queriam um filho e vice-versa. Nota a identidade sexual dos pais e o           erotismo entre eles. Sente que eles se amam. É na família que a educação sexual acontece.
As táticas “educativas” usadas pelos pais – Educar é um compromisso sério. Casais tem tipo de educação             diferente. Aqueles que nada falam à criança e omitem a educação, deformam sua personalidade. Mês   mo estando com vergonha ou sem saber como agir ou achando que ainda é cedo, o filho cresce. Por            tanto: responder o que for perguntado e ao entendimento da criança é o ideal. Deixar de           lado a tática    da escapada (desconversar), a tática da indiferença (devem aprender sozinhos), a tática da precipita-  ção (dizer tudo  de uma vez só), a da anatomia humana (falar somente da parte biológica), a da dupla moral (educar meninos e meninas de forma totalmente diferente).
Procedimento ideias: Os filhos têm direito ao saber, a razão, a proteção e a capacidade de resolver os                   problemas. Sexo é parte da natureza do ser humano. Segue 10 sugestões de procedimentos:
            -Demonstrar à criança que ela é aceita com o sexo que possui e é muito amada;
            -Propiciar condições para o desenvolvimento do sexo psicológico de acordo com o biológico;
            -Criar e manter um clima de confiança e segurança para conversas no ambiente familiar;
            -Responder aos questionamentos das crianças, com simplicidade, propriedade e seriedade;
            -Dialogar e ouvir a criança. Se ela não pergunta, criar uma situação, verificar o que sabe e como sabe;
            -Na hora da conversa juntar os filhos de sexo diferente, a não ser que um peça privacidade;
            -Evitar pensar que o que os filhos perguntam, desejam fazer ou estão fazendo;
            -Tratar o sexo de forma positiva e responsável, como energia que conduz ao crescimento interior;
            -Educar de forma lenta e progressiva, sem encorajar ou reprimir, acompanhando o desenvolvimento;
            -Dar respostas imediatas e adequadas à idade e ao momento, considerando todos os aspectos.
Como lidar com a Hora da Conversa – Pais precisam perceber e se anteceder.
Infância – comportamentos e interesses – Criança até 18 meses: conhece seus objetivos com a boca;
            Criança até 2 anos: já tem domínio muscular e sente e dá afeto. Demonstra sentimentos. Gosta de tocar             e ser tocada. Distingue os adultos das crianças e pode manifestar agressividade.
            Criança até 2 anos e meio: Tem interesse pelas diferenças sexuais e consciência genital – sabe que é             menino ou que é menina. É curiosa em relação ao banheiro e à posição mictória. Gosta do contato.
            Criança até 3 anos: Já diz: “sou menino/menina” – quer saber de onde veio e das diferenças corporais.
            Criança com 4 anos: Ainda curiosa em relação ao banheiro. Nas brincadeiras foram grupo de sexo di-            ferente. Muito interesse pelas diferenças anatômicas. Gosta de se mostrar nua e tocar-se. Idade para os             cuidados especiais da higiene sexual. Descoberta dos sentimentos afetivos: menino-mãe, menina-pai.
            Criança com 5 anos: Imita e copia os adultos. Fantasia e dramatiza sobre as diferenças sexuais.
            Criança com 6 anos: Demonstra muita energia, sozinha ou em grupo. Já associa casal a bebês.
            Criança com 7 anos: Percebe os papéis masculinos e femininos. Manifesta interesse por novelas e ati-    tudes externas.  É curiosa e distingue atributos e qualidades como bom, mau, bonito ou feio.
            Criança com 8 anos: Meninos e meninas são semelhantes em atitudes: sondam o que os pais fazem.
            Criança com 9 anos: São alegres, dispostas e despreocupadas. Sentem pudor, começa a puberdade.
            Criança com 10 anos: Deseja informações precisas e confiáveis. Desenvolve sentimentos generosos.
Questionamentos do período infantil: A 1ª. grande pergunta: ‘De onde eu vim?’ Dizer que veio do útero é a             melhor resposta, apontando para a barriga da mãe, onde se localiza este órgão.
            A 2ª. grande pergunta: ‘Como eu sai?’ Resposta ideal: Todas as mães têm um canal interno, que se       abre na vulva e se chama vagina. A vagina é um canal elástico que se estica e permite o deslizamento            do bebê para fora do útero. O útero é um lugar especial, quentinho, onde o bebê cresce, e quando       estiver pronto ele procura uma forma de sair. Tentará sair com a cabeça que é a maior parte ...
            3 ª. grande pergunta: ‘Como eu entrei na barriga?’ Parece difícil responder, mas  quem pergunta já             percebeu as diferenças corporais, portanto a explicação é gradativa: Papai e mamãe se gostam e                 dormem juntos para poderem se abraçar, se beijar antes de dormir. Eles ficam tão juntinhos que seus   corpos se aquecem provocando modificações. O pênis do papai cresce, fica grande e a vagina da ma    mãe se alarga e fica úmida. Não se vê porque fica dentro do corpo. Para que o abraço do papai e da mamãe fique mais gostoso o pênis do papai encosta-se na vulva da mamãe, procura o buraquinho da            vagina e entra nele. Os corpos se encaixam e ficam juntos até que sai um líquido especial do pênis ...
            Evite falar em sementes. Quanto ao “abraço” explique-lhe que poderá fazer quando for adulto/a ...
            Dos 8 aos 10 anos em diante – Nesta faixa o filho/a convive na escola, com crianças de várias proce-            dências  e informações de todo tipo. Como eles já sabem os principais fatos da vida, precisam ser pré-            parados para as transformações da puberdade. Meninos: ‘sono molhado’, 1ª. ejaculação, já são férteis.             Meninas: ciclo da mulher, menstruação, absorventes. Confraternização dos pais com estas mudanças.
Adolescência, comportamentos e interesses – Adolescente púbere, entre 10 e 14 anos: maturidade corporal e reestruturação da vida psicológica. Trocam os pais pelos grandes ídolos. Fase do ‘patinho feio’: não      é criança nem adulto.  Emoções conflitantes e contraditórias. Necessita de ocupações.
            Adolescente médio, dos 14 aos 16: assume nova identidade e personalidade. Notam-se crises e                     inconstâncias em grupos de amizade mistos. Fase da inserção na comunidade e masturbação.
            Adolescente jovem, a partir dos 16: conflito do futuro e da escolha da profissão. Aprende a amar e aos             poucos, ‘volta para a família’. Começa a se inserir de fato no mundo adulto.
            Compreendendo a adolescência: Após os 12 anos perdem os interesses infantis, porém os pais devem   sondá-los, pois uns são precoces outros demoram em despertar para certas coisas. Ambos precisam de apoio. Ocorrem os primeiros contatos físicos: é o ensaio para ávida adulta – fase do ‘ficar’, onde os vínculos são longos ou curtos, mas sem compromissos e passageiros, e afetam da auto-estima.  Alguns           já namoram. Muitos começam a beber. Outros tanto a fumar - meninas começam mais cedo. A turma        pressiona para o início da vida sexual. Meninos têm medo de ’falhar’ e meninas,       da ‘dor’, sangramen-  to, gravidez ... Ambos estão ávidos por informações. Pais e professores devem atuar em conjunto ...
            Há que se detectar os pais que não ‘conhecem ‘ seus filhos e, por isso entram em desacordo e se                  culpam mutuamente, pelo que acontece com eles (violência, fuga de casa, drogas, vícios, gravidez ...)
Resultados de uma educação sexual inadequada: bloqueios emocionais e até risco da própria vida.
            Fonte de aprendizagem errada com informações incorretas, em geral fora de casa, causam distorções.
            Pais que não participam da vida sentimental dos filhos, criam confusões biológicas e sentimentais.
            Vida sexual precoce: Rapaz empurrado pelo pai ou pela ‘turma’, que mal dirigido fica com seqüelas.             Moças, por pressão do ficante ou influência do erotismo – e o que sobra é angústia e os medos.
            Existem iniciações precoces por vingança aos pais.  Note-se: todos são casos de falta de consciência.
            Jovem mãe solteira: é o resultado mais comum e mais triste da precocidade. Necessita mais de amparo do que da obrigação de casar. Há as que engravidam para sair de casa, ou garantir ‘um casamento’.
            Pai solteiro: pai é para sempre, há o que visita e ajuda; e o que cria o filho rejeitado pela mãe sofrida.     Há também o que simplesmente ignora e desaparece, muitas vezes com apoio dos seus pais (avós).
            Separações conjugais: resultado de uniões rápidas ou obrigadas. Sem base sólida. Pouco se conheciam.
            Filhos indesejados – gravidez precoce e sem planejamento: o filho pode tornar-se um empecilho.
            Mães muito jovens – ainda não terminaram de ser filhas. A gestação: de alto risco, parto problemático.
            Gravidez oculta, isolada  e com muitas perturbações físicas, psicológicas e sociais.
            Aborto: sem dúvida a pior atitude pela falta de orientação e uma violência contra uma vida indefesa.    Uma grande agressão contra si e contra seu corpo, com trauma das dores, infecções e esterilidade .
            No anonimato ou, em geral, induzida e levada pelo namorado ou a mãe, o abalo psicológico é grande.
            Desajustes psíquicos e sexuais: causam uma pessoa medrosa, sem afeição, bloqueada ou promíscua.
            Drogas: recurso dos desajustados. Euforia inicial que detona a liberdade e a libido, diminuindo o inte-  resse sexual e o orgasmo; e causa esterilidade. Picadas levam à AIDS, HIV ... Solução: ajuda... +ajuda.
            DST- doenças sexualmente transmissíveis – Elas continuam existindo e levam à auto medicação. In-     formar sem ameaças e sem reprimir. O anonimato é passível de processo penal (cap.III, # 130 e 131). 
Relacionamento familiar: “Acreditar ma família é construir o futuro.” – João Paulo II.
            Os problemas de relacionamento serão de acordo com a idade dos pais, dos filhos e seus conflitos.
            Existem as crises de mão dupla, pois as famílias estão cheias de ramificações – casais que formam         novas famílias com interferências financeiras ou mais mágoas – novos filhos, tios, primos, avós.
            O papel dos pais continua: com diálogo, informar que o ‘princípio, meio e fim da vida’, é o amor.
            Neste mundo erotizado,  o ideal é aproveitar todas as ocasiões para passar hábitos sadios, atitudes
            positivas e valores definidos – que são os grandes alicerces de uma vida sexual saudável e feliz.
            Mesmo não sendo especialista, há que se ter sensibilidade,  saber ouvir primeiro e dizer a verdade.                     A família é um sistema dinâmico e a ela cabe: a) dar segurança afetiva aos seus membros; b) oferecer             estrutura econômica para todos terem uma vida digna; c) proporcionar aos filhos noções firmes de uma             sexualidade sadia; d) adequar-se à sociedade em que vive.
Alguns princípios educativos – Amaury A. da Silva escreveu que nossos filhos parecem espiões: seus olhi-     nhos vêem tudo e seus ouvidos ouvem até o que não deveriam. Educadores, por não serem perfeitos,            tem a obrigação de manterem-se atentos. Educação regida com amor e princípios, dita deveres e res-   ponsabilidades. Disciplinar é definir papéis: pais devem ser pais, professor deve ser professor. Quando    corrigir, demonstrar posições claras e bem definidas.Passar mais tempo com os filhos para observá-los.
            O valor do afetoExpressões de amor entre pais e filhos constroem vínculos positivos e confiança.

Capítulo IV – Sexo, energia presente na escola:

Considerando o contexto histórico-cultural. A educação sexual informal, que se realiza na família, na soci-   edade, na turma ou por informações da mídia é fragmentada e ocasional. Erros e lacunas acontecem.     Em tempos idos o currículo escolar de orientação sexual era sem direção e copiado do modelo social.
            Mudaram os tempos: surgiu a TV, a “gravidez”, a AIDS, camisinha ... informações contraditórias.
            A orientação sexual nas escolas decorre de 1936, na Noruega, depois na Inglaterra em 1943; nos EUA em 1956, ... Paraguai em 1970. No Brasil só em 1965. Nosso 1º. Encontro Nacional de Sexualidade foi      em 1986, em Curitiba. O Ministério da Educação já percebeu a importância.  Algumas famílias            a con-  sideram necessária, outras: dispensável.  Algumas escolas já a consideram como de sua competência.
            Para refletir: A escola é ponto de encontro de alunos com conhecimentos diversos. A escola é presença             nas questões sexuais, local onde os jovens resolvem seus ‘pequenos e grandes problemas’. Assim é        quase zero a antecipação da vida sexual, a gravidez precoce e o aborto. A capacitação dos docentes
            continua sendo uma tarefa delicada, pois existem as couraças pessoais. A escola com sua função social
            tem se tornado cada vez mais necessária pois várias famílias são incapazes de assumir esta educação.
Escola e família: os grandes aliados – A família educa, a escola orienta. A família é o núcleo primordial, é     onde se aprende a amar, a ser homem ou mulher, a construir sua identidade. A escola que é a continua-          cão, deve ter a confiança e a aceitação dos pais, participando, freqüentando reuniões e atendendo os   chamados. Com respeito a sexualidade, a integração deve ser total, comprometida.  Cabe a escola     tornar-se atraente para servir de ponto de encontro, com pais, filhos e professores todos juntos :         ‘Noite da família’, ‘Tarde da família’, confraternizações, compromissos bilaterais.
A relação escola-comunidade – Infelizmente o ensino sofre de descaso governamental. As poucas verbas,      por vezes tomam outro caminho, prejudicando salários e número de professores, merendas, constru-            ções, carteiras. Assim é formado um número reduzido de pessoas especializadas,prejudicando a nação.
            Com atividade educativa baixa a formação é reduzida e são desprezados  atitudes e comportamentos   
            dignos, o que danifica a conduta moral do povo. Daí vem o desrespeito a propriedade alheia: a escola é             agredida, danificada. Este desrespeito aflorará mais tarde no seu marido, esposa ou filhos. É a continu-            ação da violação do indivíduo, mantendo nosso povo sem educação e nossa nação subdesenvolvida.
            Escola e comunidade devem voltar a cultivar os ‘valores’, incentivar o uso da energia e do potencial     de inteligência e amor das pessoas, que assim descobrirão o saber e saberão o que fazer quando forem        adultos. Saberão, conscientemente, tomar suas próprias decisões. Pessoas instruídas e bem formadas       podem optar seus próprios caminhos, tornando-se mais felizes, mais produtivas e mais sadias.
O papel do professor - facilitador da aprendizagem e modelo de identificação sexual extrafamiliar: treina-      mento de autoridade. O professor/a é a referência. Deve passar segurança – representa e dá prestígio
             à ‘escola’(independente do espaço físico e equipamentos).  Suas atitudes serão lembradas por toda a    vida. O professor ideal é enquadrado em 3 ‘S’: sensível (hábil), solícito (acessível), e sensato (empatia).
Perfil do orientador sexual – qualquer professor/a, independente da disciplina, leva para a sala sua educação             sexual. Por ser referência, as vezes modelo, há que repensar seus valores e por vezes, reciclar-los,               considerando a beleza e a dignidade do sexo e da sexualidade. O perfil ideal compreende:
            -estar consciente da própria sexualidade e harmonizado com ela de forma positiva e saudável...
            -ter conhecimento amplo da sexualidade humana: infantil, adolescente e adulta...
            -ter experiência profissional, personalidade equilibrada e decidir rapidamente...
            -conhecer e compreender o desenvolvimento da sexualidade da criança e do adolescente...
            -estar sempre consciente da influência do meio nos padrões sexuais vigentes...
            -sempre usar linguagem simples e natural, clara e sensível, sem vulgaridades...
            -jamais impor seus valores pessoais e nem ser moralista...
            -estar ciente das suas próprias limitações...
            -ver com naturalidade a busca do prazer pelas crianças e jovens...
            -ter capacidade para criar um clima de confiança e cumplicidade com a turma...
            -possuir idéias originais e coragem de enfrentar desafios...
            -saber evitar o julgamento das atitudes dos alunos...
            -estar consciente de que está trabalhando num campo complexo e preconceituoso...
A sexualidade dos alunos na escola – É durante a educação infantil (6/7 anos) que o ser humano constrói sua             identidade e seu papel sexual. Neste período se encontram no banheiro e fazem as comparações.
            Aos 8/9 anos os meninos querem ver os corpos das meninas, e vice-versa. Surge o ‘passar a mão ‘.
            Dos 10-14, o interesse é pelas transformações corporais. Checam ‘tamanhos’(pênis, mama, ereção).
            Aos 12/13 - púberes - no auge do erotismo. Falam muito dos temas sexuais (experiências e paixonites).
            Pré-adolescência: aparecem as revistas eróticas, a masturbação, auto-erotismo. Querem informações.
            Os adolescentes menos informados começam a ativar sua sexualidade e já desejam uma vida sexual.
            Meninos mais afoitos, meninas precisam aprender a dizer não. Respeitar individualidade e privacidade
            Difícil dizer quando devem iniciar. Certamente não: - enquanto existirem dúvidas e pouca informação;
            - enquanto houver vergonha pela nudez, medos, falta de lugar adequado, do tempo próprio, do afeto;
            - enquanto faltar o respeito, segurança e a responsabilidade pelo bem estar do outro;
            - enquanto se sentirem pressionados pelo grupo, ou sem poder ter a decisão própria;
            - enquanto faltarem conhecimentos sobre sexo seguro e uso correto de preservativos;
            - enquanto desconhecerem o que é anticoncepção e planejamento familiar social e religioso.
Insucesso escolar – Tem ligação com a sexualidade. Pela repetência as turmas envelhecem alterando as                  etapas. Escolas particulares tem psicólogos, escolas públicas: mais dificuldades. Alunos fracos ou                desatentos, devem receber mais atenção; são os que formarão famílias carentes   e sexualmente desa-            justadas. O cidadão estará formado quando tiver assimilado as informações necessárias para dire-         cionar a sua vida. É bom lembrar: Sexualidade é uma eterna aprendizagem e é partilhada socialmente.
Características da Orientação Sexual Escolar - aspectos negativos: resistência e obstáculos dos opositores.
            Pais: Por ignorarem a sexualidade da criança e sua energia positiva. Acham que ela é inocente e                   assexuada. Isso a obriga a procurar as informações com os mais velhos, na rua, nas revistas, internet...             Depois é a escola que terá que ‘consertar’. Alguns pais culpam a escola e dizem que isto é questão de             família, mas nada fazem por vergonha, constrangimento, ignorância, (ou tudo junto).
            Professores: Quando não tem sua sexualidade bem desenvolvida. Por terem medo de se capacitar.             Temem os risinhos. Confundem valores pessoais com neutralidade. Não conseguem ser exemplo.  
            Escola: Como Instituição, pode dificultar pelas divergências entre os docentes.  Falta de tempo ou                 dificuldade financeira para a capacitação. E pelo descaso ou falta de apoio das autoridades.
            Alunos: Educação coletiva para alunos com suas individualidades e de maturidade e conhecimentos             diferentes. Faixa etária bem distante. Mudança de escola. Projetos e interesses desiguais entre si.
            Religião: Algumas oferecem resistência e discordância, pela falta de conhecimento ou esclarecimento.
            Corpo auxiliar: Pessoal de apoio: secretários, inspetores, vigilantes, faxineiros... podem interferir.
            Aspectos positivos: Crise significa risco, mas é oportunidade da escola de evoluir junto com os alunos
dos dois sexos, melhorando o entendimento entre si. Com professores neutros, mas presentes, a escola trabalha as situações no momento que acontecem. A escola, ao corrigir a forma deturpada do mundo    erotizado, formará seres humanos respeitosos e melhores. Sob orientação do Ministério da Educação, é dever da escola, orientar os jovens no seu desenvolvimento sexual.   Já sabemos que o sexo é vida,  é    energia positiva, e que a safadeza e a pornografia vêem da falta de informações e conhecimentos.   Portanto: cabe a escola dar capacitação os jovens, para que possam decidir e escolher.

Capítulo V – Como implementar a Orientação Sexual na escola:

O papel da escola – “Além de saber o que dizer, é importante saber como dizer.” - Aristóteles
            É de fundamental importância. Sabemos que a maioria dos jovens que tentam a realização profissional             descobre que seu diploma representa mais, anos de escolaridade que sabedoria. A escola realmente       educa, quando o jovem descobre a sua identidade, o seu papel sexual e coloca-o diante da vida antes   do seu diploma. A prioridade é formar um ser humano bem resolvido, também sexualmente. Educação        é um processo dinâmico e permanente. A informação está em toda a parte e a qualquer hora. Assim podemos nos dar ao luxo de nos cuidar mais, nos conhecer melhor, de dar e receber afeto, nos amar           mais para poder amar o outro. Em conseqüência nos tornaremos homens e mulheres felizes.
Postura diante da Orientação Sexual – A escola ao abraçar o tema Orientação Sexual, está abraçando a vi-    da. O orientador sexual jamais permite tudo e nem reprime nada, pois a educação visa à liberdade, o   que capacita o indivíduo a optar de forma consciente. Os encontros deverão ser convidativos e descon-            traídos, com estratégias variadas. A postura da escola deve ser coerente com os objetivos educacionais:
            Informação: conceitos e conteúdos passados aos alunos ou espontaneamente pesquisados por eles.
            Fixação: ocorre pela repetição, leitura de textos, igual a qualquer disciplina do currículo escolar.
            Conhecimento: conscientização do conteúdo fixado. Deve ficar ‘colada’, compreendida pelo aluno.
            Atitude: resposta que as pessoas dão diante de uma situação ou estímulo. Opinião ou comportamento.
            Comportamento: resposta ao estímulo embasado na utilização correta das informações já fixadas.
Programa: um caminho a seguir – Reunir conteúdos ou temários. Definir estratégias de aplicação. Para a             Orientação Sexual deve ser esclarecedor e preventivo, considerando a realidade de cada clientela. 
Como implantar – Sensibilizar e conscientizar o corpo docente da necessidade – comprometimento.
            Sensibilizar os pais, pedir sua ajuda. Educação compartilhada – juntos caminham na mesma direção.
            Obter percepção correta dos jovens para não distorcer o programa e melhorar o desempenho escolar.
            Ter posição definida quanto as limitações, forma de atuar, objetivos, apelos e comportamentos.
            Avaliação contínua do trabalho verificando erros e acertos. Ter material de apoio ou assessorias.
            A implantação do programa, com neutralidade e muito envolvimento, é uma ligação com a vida.
Recursos pedagógicos: o próprio professor - seus gestos, personalidade e carisma - avaliando a clientela.
            -Palestra: Recurso bastante usado, mas deve ter continuidade, para evitar perder seu valor. Pois ao              despertar expectativas várias, uns se excitam e outros não assimilam o excesso de informações.
            -Caixa de perguntas: Bom método. Por ocultar a identidade, dá mais liberdade para questionar. Como             podem surgir perguntas mais avançadas, elas devem ser respondidas conforme o nível das turmas.
            -Dinâmicas de grupo: Saudável tempestade mental por cochicho, mesa redonda, painel... Integra o        grupo e os pontos de vista. Há que ser ter o cuidado de sempre finalizar o tema discutido.
            -Estudo de caso: Temas de jornal, revista, situação de bairro, cidade, escola. Pede-se muita ética e bom             senso ao instrutor, pois faz emergir valores morais. Atividade de grupo que pede uma conclusão final.
            -Dramatização: Excelente recurso de expressão, que exige combinar tempo para ensaio, cumprir data     de apresentação, e que no final terá uma análise do instrutor, sobre o conteúdo apresentado.
            -Seleção de artigos: Devem ser interessantes e adequados ao grupo, e de fácil localização.
            -Álbum seriado: Assuntos com conclusão de cada equipe. Ótimo para desenvolver posturas adequadas.
            -Pesquisa: De um mesmo assunto em diferentes fontes, para verificar coincidências ou desencontros.
            -Análise de letras de canções da moda: Ao descobrir segundas intenções, desenvolve o senso crítico.
            -Entrevista: É socializante. Constata-se mudanças culturais e compara-se a sexualidade entre ‘épocas’.
            -Completar uma história inacabada: Individualmente ou em equipe. Temas adequados o nível da turma
            -Debate: Por ex.: filme, vídeo, fato... Dar liberdades para se discutir diferentes pontos de vista.
            -Modelagem: Barro, massinha... É adequado para trabalhar a noção de tamanho das partes do corpo.
            -Questionário: Organizado por instrutor ou equipes, que será respondido e questionado entre si.
            -Literatura infantil: Em temário moderno, encontrar questões de valores, auto-estima, moral da história
            -Histórias em quadrinhos: Serão elaboradas em classe visando a orientação sexual, conforme seu nível.
            -Julgamento público: Com turma que defende e turma que pede a condenação. Inverter as situações.
            -Outros recursos: Iniciantes: completar desenhos, frases... -Formas de ação constroem o ser humano.
A transversalidade – Envolve diferentes dimensões da vida social, e visa enriquecer as diversas disciplinas.
            -Língua portuguesa: Área farta de possibilidades de encaixar o tema da sexualidade, por ex.: redações.
            -Artes: Fonte de diversos pontos de vista: modelagens, desenhos, dramatizações, história, costumes...
            -Matemática: Estatísticas de situações familiares. Coisas práticas: orçamentos, tamanho das camas...
            -Ciências: Aqui se encaixam várias situações da sexualidade: fatos do corpo, transformações, higiene...
            -História e Geografia: Mostram a cultura dos povos atuais e antigos, as mudanças através dos tempos.
            -Língua estrangeira: Seus vocabulários as se referir a vida familiar, amizade, namoro, partes do corpo.
            -Educação Física: Trabalha situações corporais: lazer, musculação, formas, higiene, menstruação...
Sugestões de conteúdos programáticos – O que trabalhar? A sensibilidade do orientador dirá o que os jo-      vens precisam. Perceberá o tempo certo para os conhecimentos etários e específicos. Tendo o grau de            maturidade aliado ao aumento do rendimento escolar, conseguirá que o respeito seja uma constante. 
Ensino infantil – Corpo...     Relações de gênero...             Doenças...  – conforme necessidade e realidade.
Ensino fundamental – Idem. (DST - doenças sexualmente transmissíveis, só da 4ª. série em diante)
Ensino médio – Conforme acima. (Etapa da correção das informações deformadas, com ‘jogo de cintura’.)
Capacitação profissional e pessoal dos docentes – A faculdade dá o conhecimento especializado que deverá             ser adaptado a linha pedagógica da escola. Cabe a escola, conquistar a preferência e a aprovação da             comunidade, investindo na formação dos professores. Estes por sua vez, precisarão adaptar-se à reali-   dade atual e exigências do seu trabalho, adquirindo embasamentos: teórico e prático. É ideal envolver-          se em um grupo de estudo e rever seus conceitos evitando misturar suas dificuldades pessoais com de-      sempenho profissional.  Manter controle emocional e aperfeiçoar suas qualidades de comunicador/a.
            Equilíbrio,  prudência e bom senso são as molas mestras da educação sexual.”

Bibliografia de apoio – Leitura recomendada para pais e professores...

                                      - Leitura para adolescentes e jovens...

                                      - Leitura para crianças...

                                      - Vídeos para diversas idades...

           

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